
Projeto Jorge César Mota
"Eu percorria o mundo, honrando com humildade a parcela de sangue lusitano que me corria nas veias, como um modestíssimo português das sete partidas."
Jorge Lenz César MotaJorge Lenz César Mota - Bibliografia
Geraldo de Oliveira Souza

Jorge Lenz César Mota foi um dos tradutores da Bíblia de Jerusalém. Pastor presbiteriano, professor universitário, escritor, tradutor, letrista e poeta. Filho e neto de professores e pastores, nasceu em Lisboa (brasileiro naturalizado) em 5 de abril de 1912, filho de João Marques de Mota Sobrinho e de Wilhelmine Lenz César, casado com Ivone Garcia e pai de Maria Antonieta. Pai de Jorge era português de nascimento, porém educado no Brasil, onde se casou. Exercia o pastorado na Igreja Presbiteriana de Lisboa. Em 1922, já com dez anos de idade, a família retorna ao Brasil. Viveu alguns anos em Minas Gerais, onde seus pais passaram a viver exercendo o magistério, primeiro em Alto Jequitibá e depois em Caratinga. Nesta última cidade, seus pais fundaram o Ginásio Luso-Brasileiro.
Jorge Cesas Mota - "Memorial Circunstanciado". Memorial apresentado ao concurso para Professor Titular de História Ibérica na Universidade de São Paulo (USP).

Jorge César Mota. Memorial Circunstanciado, 1981. Naquele tempo, a meio caminho da ladeira ascendente da vida, preparava-me, sem me dar conta disso, para a última fase, ou, se Deus o permitir, a penúltima da existência. Eu percorria o mundo, honrando com humildade a parcela de sangue lusitano que me corria nas veias, como um modestíssimo português das sete partidas.
Mas, sem que, nem de longe me apercebesse do fato, eu me preparava para uma futura responsabilidade, palmilhando caminhos batidos em que respirava História a cada passo. E o curioso é que quase todas, senão todas as minhas viagens ao exterior me ensejaram contatos com aquelas áreas às quais, cerca de vinte ou trinta anos depois, iria consagrar o meu tempo, particularmente na História Medieval e na História das Religiões.
Hoje, compreendo melhor do que quando pela primeira vez o li, aquele trecho do Discurso do Método em que Descartes explica os motivos que o levaram a dedicar o resto da sua juventude à procura de nenhuma outra ciência senão a que podia encontrar nele próprio "ou bien dans le grand livre du monde... a voyager, a voir des cours et des armées, a fréquenter des gens de diverses humeurs et conditions, a recueillir diverses expériences, & m'éprouver moi-même dans les rencontres que la fortune me proposait."
Jorge César Mota - Minicurriculo na Revista de História (USP)
nº 103 - 1975

Nasceu em Lisboa, Portugal, em 5 de abril de 1912. Naturalizado brasileiro, bacharelou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Campinas em 1937, licenciando-se em 1938. Ministro da Igreja Presbiteriana por muitos anos, em São Paulo, lecionou em vários seminários teológicos (São Paulo e Lisboa) e participou de inúmeros congressos internacionais da Federação Mundial Cristã de Estudantes e do Conselho Mundial de Igrejas, na Europa, na Ásia e na América. Bacharelou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 1959 (Licenciado em 1960), vindo a ser professor de vários estabelecimentos de ensino de São Paulo, principalmente do Instituto Mackenzie, do qual foi também Capelão e Diretor do Departamento Cultural por sete anos. Foi professor da Universidade Mackenzie e de outras Faculdades, destacando-se a de Assis (História da Filosofia e Filosofia Geral). Professor no Departamento de História da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo desde 1964, responsável pela disciplina História das Religiões e colaborando na de História Medieval. Doutorou-se pela Universidade de São Paulo em Ciências Humanas (História) em 1973, sendo atualmente responsável por cursos de pós-graduação em História Social na mesma Universidade.
Trabalhos publicados:
A Pérola das Orações (estudo sobre o Pai Nosso); A Interpretação da Bíblia Sagrada (ensaio de hermenêutica bíblica); Laudate Deum (liturgia); Liturgia (co-autoria); Venite Exultemus (co-autoria); Tito, meu Filho (comentário sobre o texto original da carta de São Paulo a Tito); Cadernos de Sociologia, Introdução à Lógica Formal, O Corão no Cancioneiro de Dom Miguel de Unamuno, A Religião na obra e na personalidade de Antero de Quental, A estrutura formal na argumentação de São Paulo e as suas possíveis relações com a lógica estóica. Autor de um grande número de verbetes sobre história das Religiões na Grande Enciclopédia Delta-Larousse e da Enciclopédia Mirador. Além de outros trabalhos em preparo, tem pronto para o prelo o livro escrito a partir da sua tese de doutoramento, intitulado: Dom Miguel de Unamuno e a Bíblia.
Revista Pandora Brasil
Revista de humanidades e de criatividade filosófica e literária
ISSN 2175-3318